Exposição “Mar de plástico” na Quinta do Passal

05 de Maio de 2017 a 09 de Julho de 2017
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Imagine-se um gigante submerso nos oceanos, capaz de engordar oito toneladas por ano. Rapace e sinistro, o monstro ataca e mata outras espécies marinhas e envenena toda a cadeia alimentar, do zooplâncton ao nosso prato. É horrível e bem nosso conhecido. Chama-se lixo de plástico e vai estar em destaque na exposição “Mar de Plástico”, que será inaugurada esta sexta-feira, dia 5 maio, pelas 10h00, no Centro de Educação Ambiental (CEA) da Quinta do Passal, ficando em permanência para o público até dia 9 de julho de 2017, com visitas livres e gratuitas de segunda-feira a sábado.

A inauguração conta com uma visita guiada à exposição, liderada por José Teixeira, coordenador da campanha Ocean Action, Ciimar - Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental – Universidade do Porto, estando todos convidados a participar.

Segundo José Teixeira, coordenador da campanha Ocean Action, “a exposição recorre ao uso da arte e a diferentes ferramentas de comunicação com forte impacto visual para atrair a atenção da sociedade para o problema do lixo marinho e para alertar para a necessidade da adoção de comportamentos ambientalmente responsáveis pela população”.

Os graves problemas gerados pelos resíduos de plástico no oceano deram o mote a esta exposição, organizada pela campanha Ocean. À exposição no interior do CEA, acresce-se, nos jardins da Quinta do Passal, três esculturas de grandes dimensões construídas com lixo plástico por alunos da Escola Superior Artística do Porto, retratando diferentes consequências daqueles resíduos sobre a vida marinha.

Estima-se que mais de 8 milhões de toneladas de plástico vão parar todos os anos ao oceano, levados pelos ventos, esgotos, rios e chuvas, ou deitados diretamente nas praias ou no mar. A maior parte deste plástico vai parar aos fundos marinhos, enquanto o restante fica a flutuar ou é trazido de volta para as praias. Este plástico causa graves consequências nos animais marinhos, que podem morrer ao ingeri-lo ou por ficarem presos nos detritos. Além disso, os plásticos apresentam alta durabilidade e vão-se apenas partindo em partículas cada vez mais pequenas devido à ação do sol. Estes microplásticos absorvem grande quantidade de contaminantes da água e podem ser facilmente ingeridos pelo zooplâncton e por pequenos peixes, iniciando uma corrente de acumulação de contaminantes ao longo da cadeia alimentar, que pode acabar no nosso prato.

A entrada na exposição é efetuada através de um corredor de objetos de plástico que permitirá percecionar o efeito opressivo da acumulação do plástico no meio marinho. A exposição conta ainda com painéis informativos, outros objetos artísticos e elementos multimédia. Ali se encontrará, por exemplo, um supermercado de plástico constituído por uma infinidade de objetos de uso diário, recolhidos durante ações de limpeza de praias realizadas no âmbito da campanha Ocean Action, etiquetados não com as respetivas datas de validade, mas com o tempo de vida esperado de cada objeto no mar, o qual pode alcançar em alguns casos as largas centenas ou milhares de anos.

A exposição apresenta ainda uma mostra de trabalhos premiados no concurso “Poluição do Oceano”, organizado para escolas a nível nacional, nas modalidades reciclarte, cartaz de sensibilização, fotorreportagem e infografia.

A Campanha Ocean Action, financiada pela EEA Grants, contempla, refira-se, a realização de atividades práticas e de sensibilização em escolas, ações de limpeza de praias e a produção de vídeos educativos.

Centro de Educação Ambiental da Quinta do Passal
Ciimar - Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental – Universidade do Porto
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